Mora(da)
Mora(da) - Mora Dá Arte a Todos é um projeto de arte participativa, em que quatro residências artísticas de co-criação são realizadas nas localidades do município de Mora (Brotas, Cabeção, Pavia e Mora), tendo como mote a valorização dos diferentes lugares e pessoas do concelho.
Partindo das características únicas dos territórios, quatro artistas contemporâneos foram convidados a trabalhar com comunidades, artistas e estruturas locais, criando novos espaços de partilha e criatividade. O foco foi a criação de obras coletivas, com o objetivo de estabelecer um vínculo profundo entre a produção artística e a identidade local.
As apresentações públicas dos resultados foram momentos de comunhão e partilha, explorando novos moldes de acesso à cultura contemporânea no interior do país.
Após dois anos de trabalho no Município, ficamos a conhecer as suas estradas, lugares e gentes. Das ruas, às escolas, das praças aos jardins, criou-se um retrato comum deste lugar - uma nova morada cultural.
Novembro 2023 - Novembro 2025
Mariana Dias Coutinho
Manuel Tainha
Filipa Almeida
Câmara Municipal de Mora
Agrupamento de Escolas de Mora
Universidade Sénior de Mora
De Mão em Mão
Ao longo de nove meses, o artista Rui Horta Pereira aproximou-se de Pavia e da sua população através de diferentes propostas artísticas.
Com a participação do Lar de Santa Isabel, o Grupo do Andamento, o Grupo de Cantares da Santa Casa da Misericórdia de Pavia e o Grupo de Cantares " As Cachopas", partiu-se do barro como tela em branco. Nasceram assim esculturas cúbicas, que carregam desenhos dos mundos interiores da comunidade - as coisas que amam e os que lugares que guardam na memória.
A exposição final, no coreto da vila, juntou gerações em roda de uma mesa onde todos foram convidados a brincar: ligar ideias, entender a conexão entre diferentes fragmentos, construir, tatear ou convocar histórias. Foi um pretexto para ativar a memória, gerar o diálogo, revelar o riso e desafiar a voz.
Sussurro da Água
Partindo de encontros informais na aldeia de Brotas - no lar, em cafés, ruas e lugares de partilha - a artista recolheu memórias, poemas, histórias e afetos ligados à água e ao território.
Em oficinas com os habitantes, refletiu-se sobre “O que faz de Brotas um lugar de Afeto?”. Usando pigmentos naturais, cada participante pintou um símbolo da sua relação com a terra. O resultado foi uma pintura circular em tecido, onde se cruzam palavras, desenhos e gestos que formam um mapa afetivo da aldeia. A lenda da Nossa Senhora de Brotas abriu caminho a um imaginário espiritual que, pelas mãos dos utentes do Lar da Associação de Reformados de Brotas, ganhou forma num pequeno altar de esculturas em barro. O encontro da artista com o oleiro local, José Ramalhão, deu lugar a uma partilha de práticas e reflexões sobre o trabalho com o barro, da qual surgiram três peças de cerâmica.
O projeto culminou numa exposição no antigo tanque da aldeia, lavadouro e lugar de convívio, onde foram expostas as peças criadas e partilhadas canções e poemas da terra pelo Grupo de Cantares de Brotas e o poeta popular, Luís Lino. As obras propuseram uma escuta coletiva atenta às formas da memória.
Ponto Casa
O artista realizou uma residência a partir de um levantamento de tradições, artistas, ofícios e materiais do território, e desenvolveu uma proposta em colaboração com a comunidade local.
Numa fase inicial, foram organizadas sessões de conversa abertas a todos na Casa da Cultura sobre as necessidades culturais do território, a história deste espaço e as possibilidades para o futuro.
Os alunos do grupo de teatro da Escola Básica e Secundária de Mora foram convidados a participar no projeto. Partindo do espólio fotográfico de António Gonçalves Pedro (1927-1999), fotógrafo local desconhecido pelos jovens, olhámos para os lugares do nosso dia-a-dia e desenhámos o contorno destas imagens a carvão sobre linho. O grupo de bordadeiras da Associação de Reformados Pensionistas e Idosos de Mora partilhou bordados, tecidos e cantares locais que inspiraram o processo de criação e foram apresentados na mostra final.
A Casa da Cultura de Mora, desenhada pelo arquitecto Manuel Tainha, avô do artista, recebeu a exposição Ponto Casa onde apresentou o seu trabalho autoral em diálogo com os resultados do processo de relação com a comunidade morense.
Cabeção no Coração
A artista iniciou o projeto a partir de um levantamento afetivo com a população de Cabeção, através de “Caixas dos Sonhos” com questões sobre os desejos, sonhos e memórias.
Desenvolveram-se um conjunto de oficinas com a Universidade Sénior, onde as mulheres de Cabeção partilharam os seus mundos interiores através da criação de postais com colagem, pintura e desenho, da escrita de mensagens a pessoas queridas que estão longe, e de esculturas em massa de moldar de objetos pessoais.
A vivência com a população levou à descoberta de um arquivo fotográfico, pertencente ao CCDRC (iniciativa cultural do pós 25 abril) que ilustrava a vida local na década de 1970 e 80. Estas imagens foram motor de aproximação à comunidade, aos lugares e às pessoas de Cabeção.
A residência culminou na exposição Museu Aberto, que inaugurou em Abril de 2024 no Centro Cultural de Cabeção. Foram apresentados os resultados das oficinas, uma fanzine sobre o processo e uma instalação de recortes ilustrativos da relação com a comunidade. As paredes foram preenchidas com fotografias de arquivo e testemunhos da população - páginas de um livro em construção, em que as pessoas eram convidadas a interagir e mapear a história da vila.
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